Estudo relaciona puberdade precoce, má-formação congênita e agrotóxicos

Após apresentar relutância em aceitar que o corpo de sua filha não estava normal, a professora Antônia Luci Silva Oliveira percebeu o crescimento desproporcional em uma das mamas da criança. Quando a menina estava com 6 meses de idade, a anormalidade já se fazia notar, porém, a mãe ainda não reconhecia o fato. Quando ao completar 1 ano e 6 meses, após um ultrassom, foi entregue à mãe o diagnóstico que indicava telarca prematura, sendo esta, a fase inicial do desenvolvimento das mamas. A professora ainda ouviu do médico a afirmação de que o caso era de grande incidência na região, uma pequena comunidade interiorana do Ceará, que já havia recebido notícias similares.

A Faculdade de Medicina da UFC (Universidade Federal do Ceará) fez algumas pesquisas e desenvolveu a tese de que a má-formação congênita surgiu como consequência da alta exposição a agrotóxicos, que a maioria das família da comunidade era submetida. Tal relação foi reforçada com estudos e testes que fizeram forte indicação de ingredientes ativos para as substâncias agrotóxicas no sangue e também na urina, tanto das crianças, quanto de seus familiares. Os testes foram reforçados com a verificação da água disponibilizada para as casas das famílias, sendo que em 7 locais visitados, 6 estavam com a presença da contaminação.

Os testes e acompanhamentos foram feitos com 17 pessoas, que tiveram urina e sangue verificados, destas, 11 restaram com resultado positivo para a presença de um tipo de inseticida chamado organoclorado, que pode ocasionar graves lesões para a saúde de humanos, se expostos em continuidade a sua presença.

A médica responsável pela pesquisa, Ada Pontes Aguiar, afirmou que o problema na água já era de conhecimento, pois outros testes feitos na mesma região anteriormente já haviam indicado, porém, não eram esperados resultados tão graves para o caso de urina e sangue.

Além das crianças diagnosticadas com puberdade precoce, a região ainda contou com 8 casos de fetos com uma má-formação congênita, sendo que tais casos também foram relacionados à exposição demasiada aos agrotóxicos, pulverizados por aviões em plantações de melão, banana e outras frutas cultivadas na região para exportação.

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