Pesquisadores descobriram que a criatividade é estimulada quando há limitações

Todos queremos ser mais criativos. Afinal, é a tecnologia disruptiva, o próximo grande livro, música ou filme, ou o último avanço científico que altera o curso da história humana. Dentro da criação, não há só a fama ou a fortuna, mas sim também o legado por detrás de uma grande criação.

Mas algo interessante foi descoberto por pesquisadores. Os especialistas dizem que, na realidade, as restrições impostas nas pessoas encorajam a criatividade. No empreendedorismo, as limitações são naturalmente impostas. Por exemplo, o orçamento, regulamentos, concorrentes e forças de mercado, os quais devem ser tratados. No design de uma aeronave, as restrições podem ser as leis da aerodinâmica, materiais disponíveis, orçamento, combustível e peso.

No entanto, nas artes, a página ou a tela em branco podem ser assustadoras, pois tais regras geralmente não se aplicam. Devido a isso, muitos criativos colocam limitações artificiais em si mesmos.

Por exemplo, Miles Davis escreveu um álbum inteiro, Kind of Blue, sem um único acorde. O artista Piet Mondrian modernizou o modernismo restringindo suas pinturas a ângulos retos e cores primárias. Mesmo Theodore Geisel, mais conhecido como Dr. Seuss, se limitou a produzir suas obras mais memoráveis. O conselho do Dr. Geisel diz o seguinte: “Se você é alguém que escreve ou pinta, não tenha medo de tentar restrições!”.

Recentemente, dois experimentos paralelos publicados na revista Psychology of Aesthetics, acrescentaram credibilidade a esse fenômeno. O estudo foi intitulado “The Green Eggs and Ham Hypothesis”, (que em português quer dizer: a hipótese do ovo verde e do presunto). Por que ele foi chamado assim permanece em mistério. O livro contém apenas 50 palavras, que podem ter desempenhado um papel de desenvolvimento e sucesso.

Catrinel Haught-Tromp, do departamento de psicologia da Universidade Rider, liderou o estudo. Em dois experimentos, os indivíduos que receberam certas regras para uma tarefa foram e continuaram a ser mais criativos, mesmo quando as regras foram levantadas.

Para realizar a primeira etapa do estudo, Haught-Tromp e colegas recrutaram 64 alunos de graduação. Cada um foi convidado a escrever uma série de rimas, duas linhas cada. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles recebeu oito substantivos específicos. O outro foi capaz de usar qualquer substantivo que desejasse. Três juízes avaliaram seu trabalho. “Os participantes geraram mais rimas criativas quando tiveram que trabalhar com a restrição imposta externamente de um substantivo dado”, escreveram os juízes.

No segundo experimento, contendo 46 estudantes universitários, os participantes foram incentivados a escrever rimas, mas foram convidados a criar suas próprias regras e restrições. O primeiro grupo foi informado para escrever os quatro primeiros nomes que surgiram na cabeça e usá-los para criar suas rimas. Promessas foram dadas para ajudá-los a compor. Os pesquisadores observaram que as instruções que impunham mais restrições tendiam a amplificar a criatividade, enquanto as que eram menos restritivas levavam a rimas menos criativas.

 

This entry was posted in Postagens. Bookmark the permalink.